sábado, 18 de janeiro de 2014

Marlene.

10 de Dezembro. 19h. Foi sobre ti que me apeteceu escrever.

"No dia do meu aniversário, foi sobre ti que me apeteceu escrever. Desculpa não ter atendido os teus telefonemas às 00h, 00h01 e às 00h02. Sei que terias sido a primeira pessoa a dar-me os parabéns, tal como sei que terás contado mentalmente as horas e os minutos que faltavam até o meu grande dia chegar. É a tradição.
Este texto é diferente de todos (tal como os outros) porque a nossa ligação é diferente. Sinto-te e vejo-te todos os dias. É como se estivesses sempre ao pé de mim.
Lembro-me das primeiras férias em que passei o tempo todo contigo, quando fizeste 18 anos. Hoje sou eu que faço 19. Lembro-me do ano seguinte, em que também passei o tempo todo contigo, mas dentro de uma loja de móveis. E foi tão divertido! (Tirando a parte em que apareceu uma aranha gigante e quase destruí a loja).
Outro dado muito importante nosso: as cartas. Já as nossas mães escreviam e nós mantemos a tradição. Tenho-as todas guardadas (até aquela que é um simples lenço de papel escrito à pressa na estação dos correios). Às vezes leio-as.
Há ligações na nossa vida que são inexplicáveis. A nossa é uma delas.
São anos, anos e anos. Desde quando não gostava de ti e te batia com a escova do cabelo; desde quando ia com os meus pais de férias e queria dormir sempre contigo; desde quando desmanchávamos a cama toda antes de dormir porque era lá no fundo, bem no escuro, que estava a lua. Desde a altura em que passei a ser eu a ir sozinha de férias e vir sempre lavada em lágrimas (facto que ainda hoje acontece).
Desde sempre, e até agora.
Só agora? Não.
Até para sempre.
Gosto muito de ti prima-gémea! (nome que, mesmo sem explicação, te continuo a dar)."

Hoje, ao falar contigo sobre o vestido de princesa que quero vestir no teu casamento, lembrei-me que te tinha escrito isto. Já há algum tempo. Mas ainda não o tinha publicado.
Adoro-te.








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