"No dia do meu aniversário, foi sobre ti que me apeteceu escrever. Desculpa não ter atendido os teus telefonemas às 00h, 00h01 e às 00h02. Sei que terias sido a primeira pessoa a dar-me os parabéns, tal como sei que terás contado mentalmente as horas e os minutos que faltavam até o meu grande dia chegar. É a tradição.
Este texto é diferente de todos (tal como os outros) porque a nossa ligação é diferente. Sinto-te e vejo-te todos os dias. É como se estivesses sempre ao pé de mim.
Lembro-me das primeiras férias em que passei o tempo todo contigo, quando fizeste 18 anos. Hoje sou eu que faço 19. Lembro-me do ano seguinte, em que também passei o tempo todo contigo, mas dentro de uma loja de móveis. E foi tão divertido! (Tirando a parte em que apareceu uma aranha gigante e quase destruí a loja).
Outro dado muito importante nosso: as cartas. Já as nossas mães escreviam e nós mantemos a tradição. Tenho-as todas guardadas (até aquela que é um simples lenço de papel escrito à pressa na estação dos correios). Às vezes leio-as.
Há ligações na nossa vida que são inexplicáveis. A nossa é uma delas.
São anos, anos e anos. Desde quando não gostava de ti e te batia com a escova do cabelo; desde quando ia com os meus pais de férias e queria dormir sempre contigo; desde quando desmanchávamos a cama toda antes de dormir porque era lá no fundo, bem no escuro, que estava a lua. Desde a altura em que passei a ser eu a ir sozinha de férias e vir sempre lavada em lágrimas (facto que ainda hoje acontece).
Desde sempre, e até agora.
Só agora? Não.
Até para sempre.
Gosto muito de ti prima-gémea! (nome que, mesmo sem explicação, te continuo a dar)."
Hoje, ao falar contigo sobre o vestido de princesa que quero vestir no teu casamento, lembrei-me que te tinha escrito isto. Já há algum tempo. Mas ainda não o tinha publicado.
Adoro-te.


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