domingo, 1 de fevereiro de 2015

Ana.

Dei-me conta, há uns dias, que este blog só tem artigos sobre pessoas. Pessoas que gosto muito. Ou sobre momentos que passei com essas pessoas que gosto muito.
Assim sendo, e sentindo-me em falta comigo mesma, existe alguém sobre a qual não escrevi.

Ana.
Eu gosto de lhe chamar Ana Isabel. Porque adoro o nome dela. Essa foi a primeira coisa que gostei em si. Um nome distinto, suave mas carregado de energia. Positiva. Doce, genuína e corajosa. Maternal.
Depois, a simplicidade. Para mim, o mais notório. Costumo tratá-la, também, por menina da aldeia. E vejo-me no seu reflexo. Porque, na verdade, é o que somos. Alguém que veio de uma aldeia, que volta sempre a ela, mas que tem o sonho de descobrir e conquistar o mundo. Pelos sorrisos, pelo amor e pela entreajuda.
Foi a primeira pessoa que, na minha pele morena, conseguiu descobrir um batalhão de sardas. São as tuas marcas, disse-me ela. Tenho a certeza que o são.
Somos diferentes nas palavras e no modo de ser, mas sei-me igual a uma Ana que um dia foi como eu. E por isso lhe custa tanto os meus deslizes, as minhas quedas, os meus sofrimentos. Porque os vive como se fossem dela. Ri e chora comigo. Ao mesmo tempo que eu. Mas hoje, consegue erguer-se e erguer-me a mim também.
Confronta-me com o que de mais triste e solitário este universo pode ter, para que eu perceba que nunca me vai deixar chegar lá. Que me segurará sempre.
Como a maior parte das pessoas, fez um esforço grande para me conhecer. Mas de forma subtil. Apenas abordou o que eu deixei e apenas me mostrou o que eu estava preparada para ver. Esperou. Tempo infinito. Para que eu desse um bocadinho mais de mim. Para que partilhasse o suficiente, que define uma grande amizade.
Deu-me o maior presente que alguém poderia dar. Aliás, fez mais que isso: Partilhou comigo o que, de para si, é mais valioso. O nosso mundo onde nos refugiamos. O nosso Guincho. Desde aí, apelidou-em como Princesa. E sei que, no mais fundinho do seu coração, me considera e trata mesmo como tal. Diz-me vezes sem conta: Tu és uma Princesa, Susaninha. És mesmo.

Acredita em mim em cada minuto. Em cada sonho que tenho. Em cada conquista que lhe confesso. Acredita sempre. Iguais na fé, na esperança e nos sonhos. Na conquista de uma família.

E já sabe que me deve um afilhado. Prometeu-me. Para nós, as promessas não se quebram. Mantêm-se e relembram-se todos os dias. Como quando me disse: Eu vou cuidar de ti. Prometeu. E salvou-me. Porque a Ana salva. Salva-me. Todos os dias, um bocadinho mais.

Obrigada Ana Isabel. Obrigada minha Aninha.



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