Foi logo o primeiro que escolhi. Quando o vi, pensei: tenho de o ler. E assim foi!
Na verdade, foi-me um bocadinho difícil começar a gostar dele. Confesso que as primeiras páginas se tornaram áridas para ler e ainda cheguei a pensar se conseguiria lê-lo todo. Mas consegui: nada com duas horas de espera num serviço público. Até parece que não custou tanto a passar o tempo!
Adoro ler e acho tão importante ler. Seja o que for, principalmente que seja do nosso gosto. Dá prazer, alarga-nos o horizonte, faz-nos pensar e sonhar. Sonhar. O mais importante.
Aqui ficam algumas das frases que mais gostei:
Pois, diz-se que a vida é irónica.
Nunca esperar demais dos outros e de si próprio, nunca forçar o curso dos acontecimentos tentando a sorte para os melhorar.
As dores autênticas são pedras muito especiais, têm de cair no fundo do poço, na cavidade mais profunda do inconsciente, e ficar ali calmas e imóveis a sedimentarem. É preciso muito tempo antes que voltem à superfície, à luz da compreensão. A sua dor estava quase a chegar ao fim do percurso, sentia-o, mas ainda era um pedregulho-fantasma, estranhamente pessoal, uma sensação de perda que não queria e que não podia partilhar com ninguém.
Como é que se conserta um coração partido?
É pouco elegante a gente enervar-se com quem não nos ama. E é errado afirmar que quem não nos ama não nos merece: não nos ama, ponto final.
Tem de se saber apreciar o próprio destino.
Temos de acabar com aquela ideia fixa de que o amor dos outros nos torna melhores.
Deve ser difícil sofrer de amor. Deve ser cansativo o talento. Deve ser desconfortável uma inteligência que corre a duzentos à hora. A vida é um prova de adaptação, com muitos sinais de stop.
Eu adoro-te.
Primeira: ninguém fará o caminho por ti.
Então, escolhe-me.
Porque acontece uma coisa: acontece que, a partir de um certo ponto, já não nos apaixonamos.
Decide-se que é melhor assim. Acontece que se fica sozinho.
Estás agarrada à vida como um mexilhão à rocha.
Para não se cair na armadilha da infelicidade, tem de se ter a coragem de admitir os próprios falhanços.
Sou única e mais nada. Sou mesmo uma pessoa extraordinária.
É estranho, mas sou uma pessoa dotada de um sentido cívico notável.
O verdadeiro talento consiste em tornar a vida aceitável, mesmo quando ela é uma porcaria.
E sabes como eu detesto ser banal.
O inconsciente está sempre no centro da questão.
O que é que acontece quando dois mundos longínquos entram em contacto? Um choque entre meteoritos? Ou uma seta entre dois seres que se apreciam ainda mais porque são o menos parecidos possível?
Será perigoso ceder aos sentimentos?
É mais estúpido apaixonar-se ou ter medo de se apaixonar?
Talvez os seres humanos tenham todos uma certa tendência para a loucura?
Quando se escreve sobre si próprio, é-se o protagonista, enquanto na vida se está sempre na fila, sempre atrás dos outros.
Usar os outros para se realizar a si próprio é um projeto destinado ao falhanço.
A amizade é a única satisfação que nunca nos trai, que se reconstrói sempre, que surpreende positivamente, com o seu calor.
A melhor receita para o bem-estar é rir com os amigos.
Saíam-lhe rajadas de piadas inteligentes, pusera a presunção de lado e, ao ego, como que o embrulhara com cuidado numa discrição especial, essa mesma discrição que torna as pessoas fascinantes, porque as mostra como elas são na verdade, sinceras e conhecedoras.
Ela era a rainha do perfil baixo, ou seja, ia-se revelando aos poucos, mas cada pequena transformação dela era um encanto.
Imaginar por um instante que se é eterno, sonhar o impossível, recomeçar do princípio. Enganar-se, reconhecer inevitavelmente o erro, pedir desculpa.
Sabes uma coisa? É como se a Anna fizesse vir à superfície o melhor que há em mim. Há quase três anos que não me apaixono, quando isso me parece mais essencial do que o pão ou o sono, e mesmo assim só consigo ficar feliz por ela...
As mulheres, com a imaginação que têm (o coração é dotado de uma enormíssima fantasia, e isto não é teoria), ajudam os homens a sentirem-se únicos, a suportarem melhor o curso absurdo da existência.
Mas a nós, quem é que nos consola? As mulheres são realmente as criaturas mais sós que existem à face da Terra. Gosto de ti.
Mas aquela cena não era de um filme, era a vida deles: e, na realidade, as ilusões de amor repetem-se muito pouco.
É verdade que a amizade é uma fonte de esperança com jacto contínuo.
Mas vais ver que... afinal, até as mulheres mais fortes mudam de ideias e não casam com o príncipe encantado, mas com o querido cocheiro que lhe deu boleia quando fugiam a coxear, sem sapato, pela noite fora...
Mas eu só queria que gostasses de mim.
O filme mais interessante era o que contava a história da felicidade possível.
A felicidade é como um projeto, tem de se acreditar nele, construí-lo, defini-lo.
A bondade simplifica a vida.
Calha mesmo bem, o telefone a tocar. Pois é: os amigos aparecem sempre quando devem.
Confia em mim... Que expressão bonita, forte e convincente. Porque confiar no outro é melhor do que escolhê-lo.
Na vida, são os pormenores que fazem a diferença.


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